sexta-feira, 13 de setembro de 2013

NO MERCADO IMOBILIÁRIO, A VEZ DA PERIFERIA.

Novos lançamentos de imóveis chegam a bairros mais distantes do centro expandido, como Cidade Ademar, São Miguel Paulista e Penha

EDISON VEIGA, RODRIGO BURGARELLI - O Estado de S.Paulo
O mercado imobiliário paulistano está se estendendo cada vez mais para fora do centro expandido. Enquanto na década passada o boom do crescimento foram os bairros centrais que estavam subvalorizados, como Pinheiros e Barra Funda, agora a tendência de crescimento está nos bairros mais afastados, já nas bordas do município. Os atuais líderes de crescimento são Cidade Ademar, na zona sul, e São Miguel Paulista e Penha, na zona leste.
Os dados fazem parte de levantamento da empresa Criactive, especializada em pesquisas na área de construção civil e infraestrutura. Eles mostram que a Penha, na divisa com Guarulhos, viu um crescimento de mais de 1.000% em obras imobiliárias nos últimos quatro anos. Dos novos bairros queridinhos pelo mercado imobiliário, a Penha chama a atenção por já estar rivalizando em números absolutos com os mais tradicionais. Atualmente, 189 mil m² de novos apartamentos estão em obras, menos apenas que Itaim Bibi, Pinheiros e Morumbi.
Mas o maior crescimento ficou com Cidade Ademar, distrito próximo de Diadema e da Represa Billings, na zona sul: 2.600% desde 2009. O bairro passou de praticamente inexistente para o mercado imobiliário para um distrito interessante para a nova classe média que trabalha nas indústrias dos bairros vizinhos.
Algo parecido ocorreu com São Miguel Paulista, na zona leste, onde houve um aumento de 1.171% no período. Lá, conta bastante a proximidade com a Marginal do Tietê, a Avenida Jacu-Pêssego e a rede de trens. No total, 42 dos 96 distritos da cidade tiveram aumento no número de obras neste período, embora a quantidade de m² em construção na capital tenha caído 8,5% de maneira geral, por causa da diminuição da atividade econômica.
Explicação. São muitas as razões que fizeram com que o mercado imobiliário descobrisse essas novas - e periféricas - regiões paulistanas. O principal é o aumento vertiginoso no custo dos terrenos nas regiões nobres, onde lançamentos de dois quartos raramente custam menos de R$ 400 mil. Outra mudança foi o aumento do poder de compra das classes econômicas mais baixas, que agora está passando a ter condições de comprar um apartamento no bairro onde mora.
"O caso da Cidade Ademar, por exemplo, é emblemático: os lançamentos ali atraem, pelo preço, clientes oriundos da região que buscam o conforto de um apartamento novo", explica Leandro Caramel, superintendente de atendimento da Habitcasa - empresa da imobiliária Lopes que comercializa as unidades de um lançamento residencial nesse bairro. Ele acredita que o empreendimento tem bastante potencial para atrair quem trabalha ali perto, já que o transporte público para chegar até a região é precário.
Para a engenheira civil Cristina Della Penna, diretora da Criactive, o boom imobiliário nas regiões periféricas da cidade é consequência do crescimento econômico das classes baixas da população. "Não à toa, observamos um crescimento no uso da tecnologia da alvenaria estrutural. É como se fosse um monte de pecinhas Lego, com redução do custo final e do tempo de construção", afirma ela. "Não quero dizer que o resultado é melhor ou pior, mas sim que se trata de uma solução que dá limitações arquitetônicas, impossibilitando uma grande sacada, por exemplo, mas torna a obra mais barata." De acordo com levantamento da Criactive, o uso dessa técnica reduz em 40% o custo total da obra.

Imóvel de 1 quarto é mais popular que o de 3 quartos em SP

Conheça o perfil de quem procura imóveis de um quarto, tipo cada vez mais popular na cidade de São Paulo.



São Paulo – Os apartamentos de apenas um dormitório estão cada vez mais populares na cidade de São Paulo. De acordo com o balanço do primeiro semestre do mercado imobiliário paulistano, publicado pelo Secovi-SP, os imóveis de um quarto ficaram em segundo lugar tanto entre os mais lançados quanto entre os mais vendidos, superando os apartamentos de três quartos. A mudança no estilo de vida da população é um dos fatores que explicam esse boom, mas os investidores também ficam de olho nessas unidades.
Segundo o boletim do Secovi-SP, foram lançadas 3.600 unidades de um dormitório na cidade de São Paulo no primeiro semestre, quantidade que perde apenas para as 5.700 unidades de dois quartos lançadas no período. Em terceiro lugar vieram os imóveis de três quartos, com 3.300 unidades lançadas.
A procura dos compradores também é grande. Foram vendidas 4.100 unidades de um quarto no primeiro semestre, perdendo apenas para as 7.800 unidades de dois quartos vendidas no período. De imóveis de três quartos foram vendidas 3.800 unidades.
Quem são os compradores?
Segundo Stefan Neuding Neto, vice-presidente executivo da Stan Desenvolvimento Imobiliário, incorporadora que costuma desenvolver empreendimentos com unidades compactas, quem procura esse tipo de imóvel são basicamente três tipos de compradores: os investidores, que pretendem auferir renda com o aluguel da unidade; os casais sem filhos que compram seu primeiro imóvel; e os solteiros e divorciados que buscam viver sozinhos.
Para quem compra para alugar, como investimento, o apartamento de um quarto é, atualmente, o que oferece o melhor retorno, considerando-se o custo do investimento. Segundo dados do Índice FipeZap, o retorno com aluguel dos imóveis de um quarto na cidade de São Paulo estava, em agosto, em 0,50% ao mês, contra 0,47% dos de dois quartos e 0,44% dos de três ou mais quartos. Lembrando que essa rentabilidade é corrigida anualmente pela inflação.
Do lado de quem compra para morar, os apartamentos de um quarto acabam servindo a uma nova face da população brasileira: as famílias que encolheram, o maior número de idosos (viúvos ou cujos filhos já saíram de casa) e o crescente número de pessoas que vivem sozinhas.